mon petit aquarium
"There was a point to this story, but it has temporarily escaped the chronicler's mind." Douglas Adams
13
Jul 07

hoje fui à cidade. é claro que por cidade quero dizer ao centro comercial.
fui então à grande cidade que serve a minha quinta - chama-se colombo. lá vi as maravilhas e tentações que se encontra em qualquer grande cidade. desiludida com a falta novidade, vim-me embora apenas com um chapéu nos braços.
mas aqui é que as coisas se tornam interessantes.

a camioneta que liga a cidade à minha quinta vai depositando pessoas por outras terriolas.
na paragem havia duas raparigas que, pelo sotaque, viviam em teenageland. eu sei que o nome é complicado, mas é assim uma zona de transição - uns ficam por lá mais tempo, outros nem o suficiente para terem sotaque. eu própria não me lembro bem dos tempos que por lá passei, mas creio que não foi uma estadia longa. com todo o interesse escutei a interessante e exaltada dissertação sobre os perigos de um casaco preto sobre top preto. não sem antes assistir a um corropio de troca de informação na busca de alguém que pudesse emprestar umas calças e um top para um evento especial e a realizar-se brevemente. de notar a calma de uma das nativas perante o desepero da outra, tentando pacificá-la através da intensificação da procura.

mas a minha quinta - que vem a ser o lumiar - fica naquele estranho lugar entre a civilização e a zona que ainda quer ser campo. e é por isso que é um amontoado de quintas e não uma aldeia. porque a parte que as pessoas não conhecem insiste em manter-se uma quinta. tem muitas casas, é verdade. mas no horizonte nunca faltam umas quantas árvores centenárias. a vista da minha humilde casinha é desimpedida - as minhas janelas do quarto vêem o pôr-do-sol todos os dias em que há um. à noite não se ouve som algum. as ruas são dos peões que as quiserem tomar. os carros podem ficar abertos noites inteiras, sem nunca terem companhia (por favor não nos denunciem à liga protectora dos automóveis por maus tratos - eles não estão abandonados!). de manhã, antes do sol entrar pela cozinha, os pássaros fazem-se ouvir nas árvores. ocasionalmente, pessoas de sono leve são acordadas pelo cantar do galo. até há bem pouco tempo era possível ver-se cabras e ovelhas a passear e hortas a apanharem sol. mas nunca falta um grande terreno, de tempos a tempos, verdejante.

hoje na camioneta a caminho de casa, mesmo depois de passar a ténue fronteira da urbe, vi um senhor com uma enchada ao ombro e nela levava pendurada uma trouxa de pano cru. e lembrei-me do meu avô. não porque alguma vez o tenha visto com uma enchada na mão, mas porque o chapéu ao meu colo era afinal igual a tantos que ele tinha. e lembrei-me que hoje era sexta-feira 13. não por causa da trouxa de pano cru que certamente leva o almoço. e voltei a ver o homem. e lembrei-me de como adoro morar na minha quinta à beira da civilização plantada.
publicado por mim às 12:47
música: black mirror - arcade fire
LOOL! epa! tu tinhas saudades dos meu comentarios a'sou super boa' e eu das tuas narrativas! amei o texto! e va,tens criatividade e jeitinho pa escrever..alguuum so! ;)**
GUI a 18 de Julho de 2007 às 18:33
Acho o máximo os comentários sobre a teenageland , principalmente depois de um exame de desenho passado a cantar todo o repertório do buéréré e afins...

Fantástico como estar em arquitectura nos faz voltar ao kindergardenland ..
"Com o coração gritar Kame Hame !!!!"

A acústica do Cubo é fabulosa ...
Nes a 14 de Julho de 2007 às 22:36
gostei do texto...e tive que me questionar se uma das minhas facetas não estará ainda na teenageland... bjnh
Margarida a 14 de Julho de 2007 às 18:13
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