mon petit aquarium
"There was a point to this story, but it has temporarily escaped the chronicler's mind." Douglas Adams
12
Ago 07

Há, para todos os efeitos, três tipos de pessoas: as pessimistas, que secretamente alimentam a esperança de serem surpreendidas; as optimistas, que escondem o medo de serem surpreendidas; e as realistas, que ja sabem que a surpresa está a caminho.

Sendo que as pessimistas se preparam sempre para a catástrofe, a realidade acaba sempre por ser mais satisfatória. Vendo bem as coisas, aqueles a quem se chama conformistas só podem antes ser pessimistas. O pessimismo permite-lhes ver um mundo muito mais simpático do que na verdade é. E ficar satisfeito com isso.

Já os optimistas sofrem do mal contrário. Tudo há-de correr pelo melhor. Até que simplesmente não corre. Diria que todo o optimista se tornará, mais tarde ou mais cedo, num realista inconformista. De qualquer modo, até que isso aconteça, o optimista vive uma vida de feliz ignorância sem se preocuparcom problemas que possam surgir até que estes batam à porta, toquem à campainha e, fartos, lhes arrombem a porta e entrem pela casa adentro.

Os realistas são os mais objectivos (ainda que não completamente ou sempre) - analisam os factos, consideram os factores e as variáveis, calculam as probabilidades e preparam-se para o que está a caminho. Depois, dependendo se é da vertente não-conformista ou fatalista, tomará ou não providências para evitar os acontecimentos futuros.

Nalgumas situações os não-conformistas continuam a demonstrar vestígios de optimismo, esperando ingenuamente que as suas acções tenham sempre um efeito positivo.

Noutras são os fatalistas que saiem a perder,porque nem sequer podem ter a satisfação de ter tentado, que dirá resultados proveitosos.

Fica assim estabelecido que os realistas são os que mais se preocupam com antecedência (por coisas que de facto vão acontecer), os que tentam preparar-se para aquilo para que não há preparação possível: más notícias. São os que, dando a entender ou não, sofrem mais. O problema de se ser realista é o excesso de consciência.

A verdade é que nada é inevitável. Excepto a morte e algumas doenças e por enquanto. O que não é necessariamente bom, mas prossigamos... Nada é inevitável. O que nos faz dizer que não há outra solução é o facto de a outra hipótese ser tão terrível que a primeira se torna suportável.

E aqui põem-se as questões: Até onde é que se está disposto a ir? Que parte de si é que se está disposto a comprometer (ou corromper)? Será que há um ponto em que as opções são tão temíveis que a escolha se torna indiferente?


Escrito em Vilamoura. Publicado a 10 de Setembro de 2007 (Lisboa).
publicado por mim às 03:40
música: after the curtain - gulag orkestar
Já dizia o outro (um anónimo qq ;) : "um realista é um optimista informado"... ou seria qq outra variação juntando optimista/pessimista e a quantidade de informação q tem?! :D
m a 25 de Setembro de 2007 às 03:12
Agosto 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
15
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
pesquisar neste blog
 
RSS
música