mon petit aquarium
"There was a point to this story, but it has temporarily escaped the chronicler's mind." Douglas Adams
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Out 08

Podemos não ter quatro paredes caiadas e o cheirinho certamente nao é a alecrim. Talvez uma qualquer especiaria própria de comida oriental/árabe (que não é a minha, note-se). Mas somos quatro portugueses a partilhar um espaço em Paris, portanto a casa é portuguesa.

 

Quando me perguntam onde vivo e respondo que moro numa casa com três outros portugueses, normalmente, o que recebo são esgares de quem pensa "ah coitada, que falta de interesse" ou "hão-de fazer muitos amigos estrangeiros e falar bem francês, hão" (se as pessoas que pensaram isso fossem capazes de sarcasmo). Quando a seguir ainda acrescento que, apesar de em Paris estarmos em três faculdades diferentes, em Lisboa somos da mesma e já nos conhecíamos, os esgares caras que demonstram abertamente a sua condescendência.

 

Mas digo-vos que, neste momento, não o trocaria por nada. Bem sei que é provável que nos zanguemos e que é certo que vamos discutir e gritar e que muitas vezes nos vai apetecer partir para a agressão. Mas é disso que se fazem as famílias também.


Nada se pode comparar ao conforto de chegar a casa e não ter que fazer mais o esforço (por muito natural que já nos seja falar inglês ou francês) de falar outra língua que não a materna. Mesmo que às vezes (qual tuga emigra) já nos faltem as expressões ou nos saia a resposta noutra língua.


Nada se compara a estar entre pessoas em quem podes confiar (e já o sabes à partida). Saber que não precisamos de dividir as tarefas para todos os dias, porque podemos dividi-las por todos sempre.


Nada se compara a saber que eles percebem de onde vens (ou têm uma ideia disso) e estão lá sempre que for preciso. E a cada dia descobrimos um novo fio das nossas vidas que está já entrelaçado há muito mais tempo do que imaginávamos.


Para os cépticos que acham que isto faz com que conheçamos menos gente, desenganem-se. Conhecemos três vezes mais. Porque temos intimidade suficiente para nos infiltrarmos nas actividades sociais uns dos outros e nos grupos de amigos que cada um faz na respectiva faculdade.


E não precisamos de andar sempre juntos. Não há orgulhos feridos. Mas quando não há nada para fazer ao jantar, jantamos juntos. E fazêmo-lo juntos. (A importância que a comida tem na nossa cultura...) E quando não temos com quem ir fazer alguma coisa arrastamos um de nós - ou todos.


Somos a rede de segurança uns dos outros e, como dizia alguém, "a casa tem que dar segurança e oferecer santuário (porto de abrigo), ser ponto de partida para a conquista do mundo. Tem que acolher." Isto acontece muito bem aqui. Há potencial!

publicado por mim às 15:57
e por cá folgamos em saber que te corre bem a vida!
Beijinhos
Susana a 21 de Outubro de 2008 às 14:38
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