mon petit aquarium
"There was a point to this story, but it has temporarily escaped the chronicler's mind." Douglas Adams
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Dez 08

mudei-me para paris. temporariamente. com o anúncio da minha partida descobri os muitos preconceitos que as pessoas tinham em relação aos franceses: os franceses não tomam banho, os franceses cheiram mal, os franceses são antipáticos, os franceses são brutos. ora dos franceses em geral não posso falar (até porque a minha cunhada francesa é tudo menos o estereótipo francês), mas posso confirmar que grande parte dos parisienses é assim.

vamos antes de mais clarificar o uso do termo parisiense. o parisiense é uma espécie em vias de extinção, se não mesmo extinto - por vezes pensa-se avistar um e por isso a extinção ainda não foi declarada oficialmente. mas parece que em paris se encontram todos os franceses de nariz empinado, que caminham no seu próprio mundo sem reconhecer que estão no mesmo que a pessoa do lado. a esses chamaremos parisienses.

ora consta que (pelo menos segundo o que nos conta a nossa professora de cités jardins) em paris, até aos anos 50 (sim, do século passado, ou seja, 1950's), só 5% das casas tinham casa de banho própria. e era comum encher-se uma banheira com água e toda a família, à vez, tomava banho nessa mesma água e esse era o gasto de água calculado que entrava nas despesas. sim, eles não consideram o banho algo assim tão importante como nós. gasta a pele. isto provoca momentos desconfortáveis em sítios mais apertados, como é o caso do metro. desconfortáveis para quem está a cheirar, não para quem emana o cheiro, porque esses não querem saber. estão no seu mundo em que as pessoas incomodadas à volta não existem.

e, sim, também é frequente o metro cheirar mal e estar de tal modo sujo que faz o nosso parecer saído de um anúncio do sonasol! e qual é a ideia de fazer todas as estações com "azulejo" branco e luzes que poderiam cegar alguém se não são capazes de manter aquilo limpo? e nem vamos falar na obsessão de fazer todas as estações exactamente iguais e labirínticas, com a excepção do rodapé que muda segundo um padrão que ainda não consegui descortinar. o que também me irrita profundamente.

mas estou a dispersar.

não queria dizer que no natal os portugueses cheiram pior. era mais que com a aproximação do natal as pessoas passam a viver no seu próprio mundo, atarefadas com todas as coisas que têm a fazer. e ocasionalmente há um obstáculo, leia-se pessoa, que se atravessa à sua frente, sendo colhido sem dó nem piedade. mas não há tempo para desculpas! a meia-noite não espera por ninguém! e assim fui abalroada três vezes ontem nas minhas tentativas de compras. até me senti de novo transportada para paris.

lá, as pessoas dão encontrões como quem respira. e pedir desculpa é tabu. todas as vezes que pedi desculpa a alguém essa pessoa olhou para mim como se me quisesse bater. foi como se aquela palavra, e não o encontrão, tivesse quebrado a bolha actimel.

não era suposto o natal (e o ano novo) ser a altura em que paramos e levantamos a cabeça para o que se passa à nossa volta?

publicado por mim às 00:58
música: corcovado - joão gilberto
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